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Quantas horas de sono precisamos? O número, e como encontrar o teu

Os adultos precisam de 7 horas ou mais, um mínimo, não um objetivo. O que a investigação diz sobre 6 e 9 horas, dormir até tarde e o teu próprio número.

Uma ampulheta numa mesa de cabeceira de madeira ao amanhecer, com a areia ainda a correr; atrás, desfocadas, uma cama desfeita e uma janela com o céu azul e âmbar.
Ilustração gerada por IA

De quanto sono precisas na tua idade?

Painéis de especialistas transformaram milhares de estudos nestes números. Para os adultos, a American Academy of Sleep Medicine e a Sleep Research Society pediram a 15 especialistas que analisassem 5314 artigos científicos. A resposta para as idades dos 18 aos 60: 7 horas ou mais por noite, com regularidade.⁠[1] O painel da academia dedicado às crianças analisou mais 864.⁠[2]

IdadeSono recomendado por 24 horas
4 a 12 meses12 a 16 horas, sestas incluídas⁠[2]
1 a 2 anos11 a 14 horas, sestas incluídas⁠[2]
3 a 5 anos10 a 13 horas, sestas incluídas⁠[2]
6 a 12 anos9 a 12 horas⁠[2]
13 a 18 anos8 a 10 horas⁠[2]
Adultos7 horas ou mais⁠[1]; a National Sleep Foundation dos EUA indica 7 a 9⁠[7]
65 anos ou mais7 a 8 horas, segundo a National Sleep Foundation⁠[7, 8]

Os dois painéis da academia acrescentam a mesma ressalva: a quantidade de sono de que cada pessoa precisa varia, e depende dos genes, do comportamento, da saúde e do ambiente.⁠[1, 2] Um intervalo é a resposta honesta. A pergunta seguinte é onde estás tu nesse intervalo.

Porque é que 7 horas são um mínimo, não um objetivo

A recomendação para adultos diz 7 horas ou mais, e esse «ou mais» conta. Um estudo do Japão mostra porquê.⁠[3]

Quinze homens saudáveis dos 20 aos 26 anos registaram primeiro o sono em casa: cerca de 7,4 horas por noite, em média, o que cumpre a recomendação. Nenhum notava um problema, como sentir-se sonolento ou com falta de sono. Depois passaram nove noites num laboratório do sono, com 12 horas na cama todas as noites.⁠[3]

Quanto dormiram 15 homens jovens quando puderam

Médias de 15 homens saudáveis dos 20 aos 26 anos num laboratório do sono no Japão. A necessidade estimada variou entre 7,3 e 9,3 horas de homem para homem. Fonte: [3]

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Em casa, uma noite normal7,4 horas
Primeira noite com 12 horas na cama10,6 horas
Onde o sono deles estabilizou (necessidade estimada)8,4 horas

Na primeira noite dormiram 10,6 horas, mais de 3 horas a mais do que em casa. Nas noites seguintes o sono voltou a encurtar e estabilizou a partir da quarta noite, mais ou menos, numa média de 8,4 horas. Os investigadores interpretaram isso como a necessidade real destes homens, e a diferença para o sono em casa, cerca de uma hora por noite, como uma dívida de sono que não tinham notado. Treze dos 15 dormiam em casa menos do que a necessidade estimada.⁠[3]

As estimativas variavam de homem para homem, de 7,3 a 9,3 horas. Até a mais baixa ficava acima das 7.⁠[3]

«Eu fico bem com 6 horas»

Talvez. Mas sentir-se bem é precisamente o que o sono curto torna difícil de avaliar.

Num estudo laboratorial nos EUA, adultos saudáveis dos 21 aos 38 anos receberam ao acaso 4, 6 ou 8 horas na cama por noite durante duas semanas (na cama, nem sempre a dormir). Quem tinha 6 horas ou menos piorou em todos os testes, e os défices foram-se somando dia após dia. No fim, igualavam os défices de até duas noites sem dormir nada.⁠[4]

As suas próprias avaliações de sonolência contavam outra história. Subiram nos primeiros dias e depois só um pouco mais. Os investigadores concluíram que os participantes não tinham grande noção dos défices crescentes.⁠[4]

Seis horas por noite durante duas semanas: o que mudou e o que as pessoas notaram Esquema

Um esboço do que o estudo relata para quem tinha 6 horas ou menos na cama, não os seus dados. Fonte: [4]

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Os resultados dos testesContinuaram a piorar, dia após dia, durante as duas semanas
Quão sonolentos se sentiamSubiu nos primeiros dias e depois só um pouco mais

E as pessoas que precisam mesmo de pouco sono? Existem, mas as provas são escassas. O gene mais conhecido para isso foi encontrado em duas pessoas de uma pequena família e depois estudado em ratinhos.⁠[9] O painel da National Sleep Foundation di-lo claramente: dormir muito fora do intervalo recomendado é raro.⁠[7]

É possível dormir demais?

Os estudos populacionais associam de facto o sono longo a uma vida mais curta. Uma meta-análise de 16 estudos com 1,38 milhões de pessoas concluiu que, em comparação com quem dormia 7 a 8 horas, quem dormia pouco (normalmente menos de 7 horas) tinha um risco de morrer 12% maior nos anos de acompanhamento, e quem dormia muito (normalmente mais de 8 ou 9 horas) um risco 30% maior.⁠[5]

São associações, baseadas no que as pessoas responderam num questionário. Para o sono curto, os investigadores descreveram várias formas de poder causar dano. Para o sono longo, a revisão não encontrou nenhum estudo que mostrasse uma. Depressão, doenças por diagnosticar, pouca atividade física e má saúde geral acompanham o sono longo e podem explicar a associação.⁠[5]

As sociedades do sono são cautelosas aqui. Mais de 9 horas por noite podem ser adequadas para jovens adultos, para quem recupera de uma dívida de sono e para quem está doente; para todos os outros, não se sabe se trazem algum risco.⁠[1] Dormir habitualmente muito fora do intervalo recomendado pode ser sinal de um problema de saúde.⁠[7] Se te preocupa dormir demais ou de menos, o conselho é falar com um médico.⁠[1]

Mais uma nuance, porque a investigação não é tão uniforme como um único número sugere. A mesma revisão não encontrou provas de que dormir 6 a 8 horas seja prejudicial.⁠[5] Mas mediu o risco de morte ao longo de anos, não o quão bem pensas no dia seguinte. No laboratório, 6 horas por noite já tinham um custo.⁠[4]

Dá para recuperar ao fim de semana?

Um estudo laboratorial nos EUA testou-o com 36 jovens adultos, homens e mulheres. Um grupo dormiu 5 horas por noite durante uma «semana de trabalho» de cinco dias, depois pôde dormir o que quis ao fim de semana e voltou em seguida às noites curtas.⁠[6]

Na sexta e no sábado dormiram, no total, cerca de 3 horas a mais do que o habitual. Na noite de domingo, com o despertador cedo de segunda à espera, dormiram menos. No fim de semana inteiro, isso deixou cerca de 1,1 horas a mais, contra mais de 12 horas perdidas durante a semana.⁠[6]

Quando as noites curtas recomeçaram, o relógio interno do grupo do fim de semana atrasou-se, comeram mais depois do jantar e ganharam peso, e a sensibilidade à insulina (a forma como o corpo lida com o açúcar no sangue) caiu entre 9 e 27%, conforme o local onde foi medida. A conclusão dos investigadores: o sono de recuperação ao fim de semana não é uma forma eficaz de prevenir estes efeitos do sono curto.⁠[6]

Esse atraso do relógio interno importa a quem se levanta cedo. Acordar durante a noite biológica do corpo torna mais pesada a sonolência ao acordar,⁠[10] o tema do nosso artigo sobre a inércia do sono.

Como encontrar o teu próprio número

O método japonês, nove noites com 12 horas na cama, não é algo que possas fazer em casa. Mas os investigadores apontam um sinal mais simples: quanto mais alguém dormia na primeira noite livre, maior se revelava a sua dívida de sono. Comparam-no a pôr o sono em dia ao fim de semana.⁠[3]

Daí, uma versão caseira aproximada. Para ser claro, é uma simplificação nossa do estudo, não um método testado:

  1. Escolhe pelo menos uma semana sem despertador, por exemplo nas férias.
  2. Deita-te à mesma hora todas as noites e acorda por ti.
  3. Ignora as primeiras noites. No laboratório, o sono demorou cerca de quatro noites a estabilizar.⁠[3]
  4. Faz a média das noites seguintes. É uma indicação aproximada do que o teu corpo pede.

Se o teu número ficar muito fora dos intervalos da tabela, fala com um médico.⁠[1]

Fontes

  1. 1 Watson NF, Badr MS, Belenky G, et al. (2015). Recommended amount of sleep for a healthy adult: a joint consensus statement of the American Academy of Sleep Medicine and Sleep Research Society. Sleep. Consenso de 15 especialistas depois de analisarem 5314 estudos; para idades dos 18 aos 60 pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4434546
  2. 2 Paruthi S, Brooks LJ, D’Ambrosio C, et al. (2016). Recommended amount of sleep for pediatric populations: a consensus statement of the American Academy of Sleep Medicine. Journal of Clinical Sleep Medicine. Consenso de 13 especialistas depois de analisarem 864 estudos; dos 4 meses aos 18 anos pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4877308
  3. 3 Kitamura S, Katayose Y, Nakazaki K, et al. (2016). Estimating individual optimal sleep duration and potential sleep debt. Scientific Reports. 15 homens jovens saudáveis, 9 noites com 12 horas na cama num laboratório do sono pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5075948
  4. 4 Van Dongen HPA, Maislin G, Mullington JM, Dinges DF (2003). The cumulative cost of additional wakefulness: dose-response effects on neurobehavioral functions and sleep physiology from chronic sleep restriction and total sleep deprivation. Sleep. 48 adultos saudáveis dos 21 aos 38 anos, duas semanas num laboratório do sono pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12683469
  5. 5 Cappuccio FP, D’Elia L, Strazzullo P, Miller MA (2010). Sleep duration and all-cause mortality: a systematic review and meta-analysis of prospective studies. Sleep. Meta-análise de 16 estudos com 1,38 milhões de pessoas; o sono foi declarado pelos próprios pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC2864873
  6. 6 Depner CM, Melanson EL, Eckel RH, et al. (2019). Ad libitum weekend recovery sleep fails to prevent metabolic dysregulation during a repeating pattern of insufficient sleep and weekend recovery sleep. Current Biology. 36 jovens adultos num laboratório do sono, distribuídos ao acaso por três grupos pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12798825
  7. 7 Hirshkowitz M, Whiton K, Albert SM, et al. (2015). National Sleep Foundation’s sleep time duration recommendations: methodology and results summary. Sleep Health. Consenso de um painel de 18 membros de 12 organizações pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29073412
  8. 8 National Sleep Foundation (2026). How much sleep do you really need?. thensf.org. O guia atual da fundação por faixa etária thensf.org/how-many-hours-of-sleep-do-you-really-need
  9. 9 He Y, Jones CR, Fujiki N, et al. (2009). The transcriptional repressor DEC2 regulates sleep length in mammals. Science. Uma variante genética encontrada em duas pessoas de uma família e depois testada em ratinhos pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC2884988
  10. 10 Hilditch CJ, McHill AW (2019). Sleep inertia: current insights. Nature and Science of Sleep. Revisão de décadas de investigação pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6710480